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POLÍTICA Domingo, 13 de Setembro de 2026, 10:30 - A | A

13 de Setembro de 2026, 10h:30 - A | A

POLÍTICA / PRESSÃO POLÍTICA

À CNN, produtora de Dark Horse fala de delação: "Não serei novo Mauro Cid"

Reprodução

produtora de Dark Horse


Brasília/DF



A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, afirmou que não participou da administração do fundo responsável pelo financiamento do projeto e negou qualquer relação direta de sua produtora com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou com empresas ligadas a ele.

Em entrevista à CNN Brasil, Karina declarou que sua responsabilidade se limitava à execução do longa-metragem. Segundo ela, cabia ao fundo Havengate avaliar e aprovar o projeto, enquanto a produtora deveria organizar as filmagens e administrar os recursos recebidos para a produção.

“Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era ser contratada do fundo”, declarou.

Karina foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (10), no âmbito de uma investigação sobre suposto desvio de emendas parlamentares. As apurações relacionadas ao filme tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatorias distintas.

Uma das investigações, conduzida pelo ministro Flávio Dino, trata da suspeita envolvendo emendas. Outra, sob responsabilidade de André Mendonça, apura transferências atribuídas a Daniel Vorcaro que teriam sido realizadas a pedido do senador Flávio Bolsonaro. As suspeitas ainda estão sendo investigadas.

Filme teria custado US$ 13,3 milhões

Durante a entrevista, Karina afirmou que o orçamento do longa foi ajustado ao longo da produção, conforme eram definidos atores, equipamentos, locações e outras necessidades das filmagens.

Segundo a produtora, um orçamento inicial funciona apenas como estimativa e o valor efetivo depende da análise detalhada do roteiro. Ela relatou que o projeto previa 40 dias de gravações e precisou passar por cortes e adaptações depois que surgiram dificuldades financeiras, no final de 2025.

Karina afirmou que foram gastos aproximadamente US$ 13,3 milhões na produção. Questionada sobre a existência de recursos públicos no projeto, negou.

“Tudo dinheiro privado”, afirmou.

Produtora nega recebimento direto de Vorcaro

Uma das frentes da investigação apura sete transferências que, juntas, somariam US$ 12,3 milhões e teriam sido destinadas ao fundo Havengate. As movimentações foram citadas na colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, homologada pelo ministro André Mendonça.

A homologação de uma colaboração não representa confirmação automática das declarações apresentadas. As informações ainda precisam ser verificadas pelos investigadores.

Karina disse que sua produtora não recebeu dinheiro diretamente de Vorcaro e afirmou que nunca manteve relação comercial com ele ou com suas empresas.

“O Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro”, declarou.

Segundo ela, os recursos teriam sido destinados ao fundo responsável pelo investimento. Karina afirmou ter tomado conhecimento, por meio da imprensa, da identidade de empresas que supostamente fizeram aportes no fundo.

A produtora explicou ainda que os contratos comerciais possuem cláusulas de confidencialidade e, por isso, não podem ser divulgados publicamente. Ela declarou, entretanto, que poderá apresentar os documentos às autoridades caso seja formalmente solicitada.

Emendas parlamentares são negadas

Karina também rejeitou a suspeita de que o filme tenha utilizado recursos provenientes de emendas parlamentares.

Dark Horse não tem emenda. Não existe emenda para Dark Horse, nenhuma emenda. Nunca foi feito projeto público para Dark Horse”, disse.

Ela diferenciou o longa de outros projetos sociais ligados à sua atuação, entre eles iniciativas voltadas à prática de artes marciais e ao empreendedorismo.

Relatos de ameaças e cobrança milionária

Durante a entrevista, a produtora afirmou ter sido ameaçada em meio a conflitos relacionados a um projeto de fornecimento de internet por Wi-Fi. Segundo seu relato, os episódios envolveriam um ex-marido e um antigo fornecedor.

Karina alegou que o fornecedor teria deixado de cumprir obrigações contratuais e, posteriormente, pedido R$ 2,5 milhões para não prejudicar o projeto. As acusações apresentadas por ela não foram comprovadas e deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis.

Pressão por uma delação

A produtora também relatou ter sido procurada por um advogado que teria oferecido auxílio jurídico e mencionado possuir contatos no STF. Segundo Karina, o profissional também teria apresentado a possibilidade de ajudá-la em uma eventual delação premiada.

Posteriormente, conforme sua versão, um pastor conhecido teria entrado em contato oferecendo ajuda e mencionado novamente a possibilidade de colaboração.

Karina afirmou sentir que estaria sendo pressionada a apresentar uma narrativa capaz de incriminar terceiros.

“Eu fico numa situação que me deixa com medo. Eu não estou falando do projeto, eu tenho que falar o que querem ouvir, senão vão fazer da minha vida um inferno”, declarou.

A produtora disse que pretende colaborar com as investigações, mas reforçou que não possui informações para incriminar outras pessoas.

“Eu fui contratada para produzir. Eu não fui contratada para captar recursos”, afirmou.

Lançamento está comprometido

Karina classificou como censura os obstáculos enfrentados pela produção e afirmou que o mesmo tratamento não seria dado a um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ela contou que já votou em Lula, mas mudou de posição política após o atentado contra Jair Bolsonaro, em 2018, quando passou a conhecer mais profundamente a trajetória do ex-presidente.

Questionada sobre a possibilidade de se tornar um “novo Mauro Cid”, Karina negou possuir informações comprometedoras sobre terceiros.

“Não vou ser o próximo Mauro Cid porque não tenho como incriminar ninguém. Eu não vi e não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo o que a gente fez foi um filme”, declarou.

A produtora afirmou que o longa possuía uma previsão de estreia, mas que, diante das investigações e das dificuldades enfrentadas, não consegue atualmente trabalhar para viabilizar o lançamento.

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