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POLÍTICA Sábado, 12 de Setembro de 2026, 14:20 - A | A

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POLÍTICA / GEOPOLÍTICA GLOBAL

Em xeque ao Ocidente, BRICS condena sanções e fecha cerco contra ataques nucleares no Oriente Médio

Iluitração feito por IA

 BRICS


Nova Mutum/MT



O grupo BRICS manifestou “profunda preocupação” com o aumento das hostilidades no Oriente Médio e criticou a aplicação de sanções unilaterais sem autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

A posição foi registrada na Declaração de Nova Délhi, documento aprovado durante a cúpula realizada na Índia. O texto reforça a defesa do direito internacional e apresenta uma resposta do bloco ao cenário de crescente tensão entre potências e países do chamado Sul Global.

Embora não cite diretamente os Estados Unidos ou Israel, a declaração condena os chamados “ataques deliberados” contra infraestruturas civis e instalações nucleares destinadas a fins pacíficos. A referência foi interpretada por diplomatas como uma forma de proteger o Irã, representado na reunião pelo presidente Masoud Pezeshkian.

“As salvaguardas nucleares, a segurança nuclear e a proteção nuclear devem ser sempre mantidas, inclusive em conflitos armados, para proteger as pessoas e o meio ambiente de danos.”

BRICS amplia críticas às sanções

Outro ponto central da declaração foi a rejeição às sanções econômicas aplicadas de forma unilateral. O posicionamento atende especialmente aos interesses da Rússia, que enfrenta restrições financeiras impostas por países ocidentais desde o início da guerra na Ucrânia.

O BRICS defendeu a retirada dessas medidas e classificou as sanções como incompatíveis com os princípios da Carta da ONU. Para o bloco, decisões com impacto econômico internacional deveriam ser tomadas dentro das instituições multilaterais, com participação dos países afetados.

A cúpula reuniu líderes como o presidente russo Vladimir Putin e o líder chinês Xi Jinping, além de representantes dos demais integrantes da coalizão ampliada. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do encontro.

Unidade do bloco é colocada à prova

Apesar do tom de unidade apresentado no documento final, o BRICS enfrenta divergências internas entre seus membros. O grupo reúne países com interesses econômicos, políticos e estratégicos diferentes, o que dificulta a construção de posições comuns sobre crises internacionais.

A tensão no Oriente Médio é um dos principais testes para o bloco. O risco de expansão do conflito envolvendo o Irã e o agravamento dos combates entre a Arábia Saudita e os rebeldes Houthis, do Iêmen, aumentam a preocupação com a segurança regional e o fornecimento global de energia.

Nesse cenário, o BRICS tenta consolidar uma agenda própria, distante da influência direta das potências ocidentais. A capacidade de manter uma posição conjunta dependerá, porém, do equilíbrio entre as rivalidades internas e a pressão exercida pelos conflitos internacionais.

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