Wesley Moreno/Power Mix
Cuiabá/MT
Em meio ao debate sobre os rumos da educação pública em Mato Grosso, o governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), defendeu a ampliação das escolas cívico-militares no estado. Em entrevista ao videocast PodOlhar, do portal Olhar Direto, ele afirmou que o modelo resgatou valores que, segundo sua avaliação, haviam sido deixados de lado no ambiente escolar.
Pivetta citou respeito, disciplina, ordem e hierarquia como princípios fundamentais para o funcionamento das escolas. Ao ser questionado sobre a possível contradição entre a proposta de uma “educação libertadora” e a estrutura cívico-militar, o governador disse que disciplina e liberdade não são conceitos incompatíveis.
“A escola é democrática, a escola liberta, o conhecimento liberta. É através do conhecimento que nós queremos preparar e libertar os nossos jovens em escolas organizadas”, afirmou.
Disciplina como resposta à violência
Segundo Pivetta, a adoção do modelo também foi motivada por registros de agressões físicas e verbais contra professores da rede estadual. Para ele, o Estado precisa garantir um ambiente de respeito e segurança para profissionais e estudantes.
O candidato afirmou que a mudança não transforma o currículo nem impede a liberdade dos alunos. Na avaliação dele, a principal diferença está no reforço de regras de convivência e valores dentro das unidades.
“O currículo escolar é o mesmo, a educação é a mesma. O que nós inserimos foram valores que tinham sido jogados fora”, declarou.
Pivetta também relacionou ordem e desenvolvimento. “Onde tiver respeito, disciplina e ordem, a prosperidade é uma consequência”, disse.
Governo nega diferença na estrutura
Durante a entrevista, o governador foi questionado sobre estudos que apontam que o interesse das famílias pelas escolas cívico-militares pode estar relacionado principalmente à busca por unidades mais seguras, organizadas e bem equipadas.
Ele rejeitou essa interpretação e afirmou que as escolas cívico-militares não recebem estrutura diferente das demais unidades da rede estadual.
De acordo com Pivetta, cerca de 3,5 mil salas de aula foram construídas ou revitalizadas durante a atual gestão, dentro de uma rede que possui aproximadamente 7,5 mil salas. Ele também citou a distribuição de Chromebooks aos estudantes.
“As escolas cívico-militares não têm nada de diferente das escolas tradicionais. Absolutamente nada”, afirmou.
Procura teria aumentado após resultados no Ideb
Pivetta atribuiu o crescimento da procura pelas escolas cívico-militares ao desempenho das escolas Tiradentes no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Segundo ele, os resultados obtidos pelas unidades militares fizeram com que pais passassem a buscar esse modelo para os filhos. O governador afirmou ainda que, em alguns municípios, a procura teria superado o número de vagas disponíveis.
Na avaliação de Pivetta, a expansão surgiu de uma mobilização das próprias comunidades, com participação de vereadores, prefeitos e outras lideranças locais.
O candidato declarou que todas as unidades transformadas passaram por audiências públicas e receberam a aprovação das respectivas comunidades escolares.
A ampliação das escolas cívico-militares integra as propostas de Pivetta para um eventual novo mandato no Governo de Mato Grosso. O tema foi discutido juntamente com assuntos como segurança pública, RGA dos servidores e combate ao feminicídio durante a entrevista ao PodOlhar.
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